Dólar em alta: é hora de comprar? Mercado avalia cenário após tensão entre EUA e Irã

Mercado reage com aversão ao risco, mas analistas veem espaço para acomodação do real

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma reação imediata nos mercados globais. No Brasil, o cenário foi de aversão ao risco, com desvalorização do real e fortalecimento do dólar.
Ainda assim, analistas avaliam que esse movimento pode ser temporário. Além disso, a alta do petróleo pode, inclusive, favorecer a moeda brasileira nas próximas semanas.

Dólar sobe forte após ataques no Oriente Médio

Na abertura desta segunda-feira (2), o dólar iniciou o dia em alta firme frente ao real, acompanhando o fortalecimento global da moeda norte-americana. Por volta das 12h (horário de Brasília), a divisa subia cerca de 1%, sendo negociada a R$ 5,19, após tocar R$ 5,21 ao longo do dia.

Esse movimento já era amplamente esperado. Segundo Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, a busca por ativos considerados seguros, como o dólar, tende a se intensificar em momentos de choque geopolítico. Como consequência, moedas de países emergentes acabam sofrendo maior pressão.

Movimento lembra padrão observado em 2022

De acordo com Robin Brooks, economista e ex-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), a forte desvalorização do real repete quase exatamente o comportamento observado em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Naquele momento, apesar da reação inicial negativa, o mercado passou a reavaliar os ativos à luz da alta das commodities. Como resultado, o real se destacou entre as moedas globais, acumulando valorização de cerca de 18% no primeiro trimestre.

Segundo Brooks, a depreciação atual do real também tende a ser temporária. Em sua avaliação, o mercado pode levar algumas semanas para reconhecer que o aumento dos preços do petróleo beneficia países exportadores de commodities, como o Brasil.

Petróleo pode favorecer o Brasil

Nesse contexto, a alta do petróleo surge como um fator-chave. Uma elevação de 10% no preço da commodity tende a reduzir o PIB de grandes países importadores em até 0,8 ponto percentual, enquanto beneficia economias exportadoras.

Dessa forma, o Brasil aparece em posição relativamente favorável. Empresas do setor de energia, como a Petrobras, tendem a capturar ganhos no curto prazo, o que pode impulsionar o fluxo cambial e melhorar os termos de troca do país.

Na mesma linha, Dan Kawa, economista e especialista em fundos de investimento, reforça que o choque via petróleo gera impactos assimétricos entre os emergentes — e que o Brasil pode se destacar positivamente nesse ambiente.

Visão das instituições financeiras

Por sua vez, Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, destacou que choques geopolíticos costumam provocar uma valorização inicial do dólar como porto seguro. No entanto, no caso brasileiro, esse impacto pode ser limitado pelo efeito positivo das commodities sobre a balança comercial.

Antes mesmo da eclosão do conflito, analistas já demonstravam otimismo com a moeda brasileira, sustentados pela expectativa de continuidade do fluxo estrangeiro. O banco Pine, por exemplo, vê espaço para uma queda adicional do dólar no primeiro semestre, com projeções próximas a R$ 5,00.

Riscos seguem no radar

Apesar do cenário mais construtivo no curto prazo, alguns riscos continuam presentes. O Itaú pondera que o aumento do prêmio de risco local, especialmente diante do calendário eleitoral, segue como o principal fator de pressão sobre o real ao longo do ano.

Em relatório recente, o banco revisou suas projeções para o câmbio, estimando o dólar em R$ 5,40 em 2026 e R$ 5,60 em 2027. Ainda assim, mesmo com a revisão para baixo, a instituição mantém a visão de valorização da moeda americana em relação aos níveis atuais.

Fonte: InfoMoney

Quer saber mais? CLIQUE NO LINK e fale com um de nossos assessores, que eles irão te ajudar.