Brasileiro morando fora: como construir patrimônio no Brasil com consórcio

Você mora no exterior, recebe em dólar, euro, libra, iene ou outra moeda estrangeira, mas ainda mantém parte do seu dinheiro no Brasil?

Essa é uma realidade comum entre brasileiros que construíram uma nova vida fora do país e, ao mesmo tempo, continuam com planos no Brasil. Alguns desejam comprar um imóvel, formar uma fonte de renda, deixar um patrimônio para os filhos ou preparar uma estrutura para um possível retorno.

No entanto, acompanhar a economia brasileira à distância pode ser complicado. Afinal, temas como taxa Selic, inflação, vencimentos, rentabilidade de CDB, tributação e mudanças no mercado exigem atenção constante.

Além disso, quem trabalha, cuida da família e organiza a vida financeira em outro país nem sempre tem tempo ou interesse para acompanhar essas informações diariamente.

Por esse motivo, o consórcio imobiliário pode ser utilizado como uma estratégia de compra planejada. Dessa forma, parte da renda recebida no exterior pode ser direcionada à construção de patrimônio no Brasil, sem depender de decisões frequentes sobre aplicações financeiras.

Seu dinheiro pode estar aplicado, mas sem um objetivo definido

Muitos brasileiros que vivem fora mantêm recursos na poupança ou em um CDB porque essas parecem ser alternativas simples.

Como o saldo cresce e os rendimentos aparecem no extrato, surge a sensação de que o patrimônio está sendo construído. Contudo, existe uma diferença importante entre deixar o dinheiro aplicado e direcioná-lo para um objetivo patrimonial.

Para entender melhor, imagine uma pessoa que deseja construir uma casa no Brasil.

Todos os meses, ela guarda dinheiro para esse projeto. Entretanto, não compra o terreno, não define um orçamento e também não inicia nenhuma etapa da obra.

Embora o valor acumulado possa aumentar, a casa continua apenas no papel.

Da mesma maneira, o dinheiro deixado indefinidamente em uma aplicação pode estar rendendo, mas não necessariamente está avançando em direção ao patrimônio que a pessoa deseja construir.

Isso não significa que o CDB seja uma opção ruim. Pelo contrário, ele pode cumprir um papel importante em uma estratégia financeira, principalmente para reservas ou objetivos de curto prazo.

Ainda assim, o problema aparece quando todo o dinheiro permanece no piloto automático, sem uma finalidade clara e sem conexão com os planos de longo prazo.

Rendimento e construção patrimonial não são a mesma coisa

Quando uma pessoa acessa o aplicativo do banco e percebe que o saldo aumentou, é natural acreditar que está construindo patrimônio.

Entretanto, ter um investimento rendendo não é exatamente o mesmo que estruturar a aquisição de um bem.

Por um lado, o CDB é uma aplicação financeira. Seu resultado depende das condições contratadas, do prazo, da taxa de referência e da tributação.

Por outro lado, o consórcio possui uma finalidade diferente.

Ele não é uma aplicação financeira que promete juros ou rentabilidade. Na prática, trata-se de uma modalidade de compra planejada, na qual um grupo de pessoas contribui mensalmente para formar recursos destinados à aquisição de bens ou serviços.

Assim, no consórcio imobiliário, o objetivo é definido desde o início: formar poder de compra para adquirir um imóvel.

Consequentemente, em vez de simplesmente manter o dinheiro aplicado sem saber quando ou como ele será utilizado, a pessoa estabelece um projeto patrimonial.

O consórcio transforma intenção em planejamento

Muitos brasileiros que moram fora dizem:

“Um dia quero comprar um imóvel no Brasil.”

Porém, o problema está justamente na expressão “um dia”.

Sem um planejamento estruturado, esse objetivo pode ser adiado por muitos anos. Enquanto isso, o dinheiro permanece aplicado, outras despesas aparecem e a compra do imóvel nunca se concretiza.

Com o consórcio, entretanto, a intenção começa a ganhar forma.

Primeiramente, a pessoa escolhe uma carta de crédito compatível com o imóvel que deseja adquirir. Em seguida, define um prazo e assume o pagamento das parcelas.

Dessa maneira, cada parcela representa uma nova etapa daquele projeto.

Em outras palavras, é como construir um patrimônio tijolo por tijolo, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.

Menos necessidade de acompanhar a economia brasileira diariamente

Uma das características do consórcio para quem vive fora é a menor necessidade de tomar decisões frequentes sobre o mercado financeiro brasileiro.

Depois de escolher a carta, o prazo e a administradora, o participante não precisa decidir constantemente:

  • em qual banco aplicar;
  • qual CDB oferece a melhor taxa;
  • quando trocar de investimento;
  • se deve esperar a Selic subir ou cair;
  • qual produto financeiro contratar;
  • quando realizar um resgate;
  • onde reinvestir o dinheiro.

Em vez disso, o foco passa a ser manter as parcelas em dia, acompanhar as assembleias e avaliar as possibilidades de contemplação.

Ainda assim, isso não significa que o consórcio dispense completamente o acompanhamento.

É necessário conhecer as regras do grupo, verificar os reajustes da carta de crédito, manter os dados atualizados e observar as condições para utilização do crédito.

A diferença, porém, está no fato de que o objetivo já foi estabelecido.

Assim, o participante não precisa tentar descobrir continuamente qual aplicação está pagando mais. Afinal, seus recursos já estão sendo direcionados para a formação de poder de compra imobiliário.

Uma estratégia para quem recebe em moeda estrangeira

O brasileiro que mora fora costuma receber em uma moeda diferente do real.

Nesse caso, ao converter parte dessa renda para pagar uma parcela de consórcio no Brasil, ele pode criar uma rotina de construção patrimonial.

Isso pode ser feito por quem recebe em:

  • dólar;
  • euro;
  • libra;
  • iene;
  • franco suíço;
  • dólar canadense;
  • dólar australiano;
  • outras moedas.

Por exemplo, uma pessoa que recebe em dólar pode separar mensalmente uma parte da renda para pagar uma carta de crédito imobiliário.

Ao mesmo tempo, ela mantém no exterior os recursos necessários para sua vida atual. Dessa forma, consegue organizar as despesas do presente sem abandonar os planos patrimoniais no Brasil.

Além disso, receber em uma moeda estrangeira pode ampliar a capacidade de planejamento. Dependendo da cotação, uma parcela em reais pode representar uma parte administrável da renda mensal.

Contudo, a cotação das moedas pode variar ao longo do tempo. Por isso, a parcela deve ser escolhida com cautela e precisa permanecer confortável mesmo em períodos de câmbio menos favorável.

Portanto, o planejamento deve considerar não apenas a situação atual, mas também possíveis mudanças na conversão da moeda.

O imóvel pode atender a diferentes objetivos

A carta de consórcio não precisa ser utilizada apenas para comprar uma residência de uso imediato.

Na verdade, dependendo das regras do contrato e da administradora, o crédito imobiliário pode ser direcionado à aquisição de diferentes tipos de propriedade.

Assim, o brasileiro que vive fora pode estruturar o consórcio para comprar:

  • uma casa para um futuro retorno ao Brasil;
  • um apartamento para os filhos;
  • um imóvel destinado à locação;
  • uma sala comercial;
  • um terreno;
  • uma propriedade para passar temporadas;
  • um imóvel para diversificar o patrimônio familiar.

Dessa maneira, o consórcio pode fazer parte de um planejamento de longo prazo, mesmo quando ainda não existe uma data definida para voltar ao país.

Além disso, o imóvel pode atender a mais de um objetivo ao longo do tempo. Inicialmente, por exemplo, ele pode ser destinado à locação. Posteriormente, poderá servir como residência para a família.

Não é necessário comprar o imóvel imediatamente

Outro ponto relevante é que o consórcio pode ser utilizado por quem não precisa adquirir o imóvel agora.

Muitos brasileiros que vivem fora possuem planos para os próximos cinco, dez ou até mais anos.

Durante esse período, o participante pode pagar as parcelas, participar das assembleias e aguardar a contemplação por sorteio.

Além disso, ele também pode se preparar para ofertar um lance e tentar antecipar o acesso à carta de crédito.

Consequentemente, essa possibilidade permite organizar a compra de acordo com a realidade financeira da família.

Entretanto, é importante lembrar que não existe garantia de contemplação em uma data específica.

Por esse motivo, o consórcio deve fazer parte de um planejamento que considere o prazo do grupo, as regras previstas em contrato e o momento em que o imóvel poderá ser utilizado.

A contemplação pode ocorrer por sorteio ou lance

Ao contratar um consórcio, o participante passa a integrar um grupo e participa das assembleias periódicas.

A contemplação pode acontecer por sorteio ou por lance, de acordo com as regras estabelecidas pela administradora.

Quem já possui dinheiro aplicado no Brasil, por exemplo, pode avaliar o uso de uma parte desses recursos para ofertar um lance.

Imagine uma pessoa que possui R$ 150 mil investidos e deseja adquirir um imóvel de R$ 500 mil.

Em vez de esperar acumular todo o valor para comprar à vista, ela pode contratar uma carta de crédito compatível com seu objetivo. Depois disso, poderá estudar a utilização de uma parte dos recursos disponíveis em uma estratégia de lance.

Caso seja contemplada e cumpra as exigências da administradora, poderá utilizar a carta para comprar o imóvel e continuar pagando as parcelas do plano.

Todavia, o lance não garante a contemplação. O resultado depende das regras e da concorrência dentro do grupo.

Por isso, antes de ofertar um valor, é importante avaliar o histórico das assembleias, as modalidades de lance permitidas e a disponibilidade financeira do participante.

Do dinheiro aplicado para o patrimônio real

Quando os recursos permanecem indefinidamente em uma aplicação, o patrimônio continua representado por números em uma conta bancária.

Com o consórcio, por outro lado, existe um destino previamente definido para esse dinheiro.

Após a contemplação, a análise de crédito e a aprovação da documentação, a carta poderá ser utilizada para adquirir o imóvel, conforme as condições contratuais.

Nesse momento, o planejamento financeiro começa a se transformar em um ativo real.

Esse imóvel poderá:

  • ser utilizado pela própria família;
  • ser destinado aos filhos;
  • servir como residência em um futuro retorno;
  • compor o planejamento sucessório;
  • ampliar a diversificação patrimonial;
  • gerar renda por meio de aluguel.

Portanto, o objetivo do consórcio não é gerar rendimento financeiro sobre as parcelas pagas. Em vez disso, ele cria um caminho organizado para a aquisição de patrimônio.

O imóvel pode se tornar uma fonte de renda

Para quem vive fora, adquirir um imóvel no Brasil também pode representar a construção de uma futura fonte de renda em reais.

Depois da compra, por exemplo, a propriedade poderá ser colocada para locação.

A renda do aluguel poderá ser utilizada para:

  • ajudar no pagamento das parcelas restantes;
  • complementar a renda familiar;
  • preparar um possível retorno ao Brasil;
  • formar uma nova reserva;
  • contribuir para outros projetos patrimoniais.

Além disso, o aluguel pode permitir que o imóvel cumpra uma função financeira enquanto a família permanece no exterior.

Dessa maneira, o consórcio pode funcionar como uma etapa inicial de uma estratégia mais ampla de construção de patrimônio e geração de renda.

O consórcio cria disciplina financeira

Guardar dinheiro exige constância.

Quando os recursos ficam disponíveis em uma aplicação com liquidez, existe a possibilidade de utilizá-los para outras finalidades.

Uma viagem, uma compra ou uma despesa não planejada, por exemplo, pode reduzir aquilo que deveria ser destinado à aquisição de um imóvel.

O consórcio, por sua vez, cria um compromisso mensal.

Ao contratar uma carta de crédito, a pessoa assume uma parcela e passa a organizar o orçamento considerando aquele projeto.

Por consequência, essa disciplina pode ser especialmente relevante para quem mora fora e deseja manter um planejamento patrimonial no Brasil.

É como estabelecer um compromisso com o próprio futuro.

Assim, o participante não está apenas economizando. Na verdade, está direcionando parte da renda para um patrimônio previamente definido.

Não é necessário escolher entre CDB e consórcio

Utilizar o consórcio como estratégia patrimonial não significa retirar todo o dinheiro das aplicações financeiras.

Na verdade, o CDB e o consórcio possuem finalidades diferentes.

O CDB pode ser utilizado para:

  • manter uma reserva;
  • atender a despesas de curto prazo;
  • preservar recursos com liquidez;
  • guardar dinheiro para necessidades no Brasil.

Já o consórcio pode ser utilizado para:

  • planejar a aquisição de um imóvel;
  • criar disciplina financeira;
  • formar poder de compra;
  • transformar renda em patrimônio;
  • organizar um objetivo de médio ou longo prazo.

Portanto, uma estratégia pode combinar as duas soluções.

Assim, parte dos recursos permanece disponível, enquanto outra parte da renda é direcionada para a construção patrimonial.

Um exemplo de construção patrimonial

Considere um brasileiro que mora no Japão, recebe em ienes e deseja possuir um apartamento no Brasil daqui a alguns anos.

Ele não quer acompanhar diariamente a Selic, o CDI ou as diferentes alternativas de renda fixa. Além disso, também não precisa comprar o imóvel imediatamente.

Nesse caso, a estratégia poderia ser organizada da seguinte maneira:

  1. Primeiramente, definir o tipo e o valor aproximado do imóvel desejado.
  2. Em seguida, escolher uma carta de crédito compatível com esse objetivo.
  3. Depois, contratar uma parcela adequada à renda recebida em ienes.
  4. Realizar os pagamentos mensais.
  5. Participar das assembleias do grupo.
  6. Posteriormente, avaliar uma estratégia de lance quando houver recursos disponíveis.
  7. Após a contemplação, escolher o imóvel e apresentar a documentação.
  8. Utilizar a carta de crédito para concluir a aquisição.
  9. Por fim, destinar o imóvel para uso familiar, retorno futuro ou locação.

Outra possibilidade, após a contemplação, é avaliar a venda da carta de crédito com ágio. Nesse caso, o titular transfere a cota contemplada para um interessado e pode receber um valor adicional pela disponibilidade do crédito “ágio”.

O ágio, entretanto, não é garantido. Seu valor dependerá de fatores como a procura pela carta, o crédito disponível, o saldo devedor, as condições do grupo e a negociação entre as partes.

Nesse modelo, o dinheiro deixa de ser apenas uma aplicação sem finalidade determinada. Em vez disso, passa a integrar uma estratégia de formação patrimonial, seja pela aquisição de um imóvel, pela geração de renda com locação ou pela eventual negociação da carta contemplada.

Para quem essa estratégia pode fazer sentido?

O consórcio imobiliário pode ser considerado pelo brasileiro que mora fora e:

  • deseja manter ou ampliar o patrimônio no Brasil;
  • pretende adquirir um imóvel no médio ou longo prazo;
  • não precisa comprar imediatamente;
  • possui renda estável;
  • consegue manter as parcelas mesmo com variações cambiais;
  • prefere uma estratégia direcionada;
  • tem recursos para avaliar uma oferta de lance;
  • deseja deixar um patrimônio para a família;
  • não quer acompanhar diariamente o mercado financeiro brasileiro.

Ainda assim, cada situação deve ser analisada individualmente.

Afinal, o valor da carta, o prazo, os custos do plano, a renda e os objetivos podem variar de uma pessoa para outra.

Seu dinheiro no Brasil precisa ter um propósito

Deixar dinheiro em um CDB pode parecer uma escolha confortável.

Entretanto, ter um saldo crescendo não significa, necessariamente, que o patrimônio desejado esteja sendo construído.

Enquanto os recursos permanecem aplicados sem uma finalidade definida, os planos de comprar um imóvel, gerar renda ou formar patrimônio no Brasil podem continuar sendo adiados.

O consórcio, por sua vez, oferece uma forma de transformar esses planos em um projeto estruturado.

Primeiramente, a pessoa define o patrimônio que deseja formar. Em seguida, escolhe uma carta de crédito, assume uma parcela compatível com seu orçamento e começa a avançar em direção à aquisição.

Dessa forma, não é necessário acompanhar diariamente a economia brasileira nem tentar descobrir constantemente qual aplicação oferece a maior taxa.

O acompanhamento passa a estar concentrado no próprio plano: parcelas, assembleias, reajustes e possibilidades de contemplação.

Em resumo, o consórcio não promete rentabilidade e não deve ser confundido com uma aplicação financeira. No entanto, ele pode funcionar como uma ferramenta de compra planejada, disciplina e construção patrimonial.

Você mora fora e deseja construir patrimônio imobiliário no Brasil? Converse agora mesmo com um especialista para avaliar o valor da carta, o prazo, a parcela e a estratégia de contemplação mais adequados aos seus objetivos.