Como guerras e conflitos afetam os mercados? Onde o investidor busca proteção?

Nos últimos cinco anos, os mercados globais foram fortemente impactados por uma sequência de conflitos internacionais. Da invasão da Ucrânia pela Rússia às tensões entre China e Taiwan, passando pelo conflito entre Hamas e Israel e pela recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, bolsas, juros, moedas e commodities reagiram de formas distintas, reforçando a geopolítica como um fator permanente de risco para investidores.

Esse cenário se torna ainda mais sensível diante da postura agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que frequentemente adota um discurso confrontacional, inclusive com aliados. Diante disso, surge uma questão central: como o investidor pode se proteger em um ambiente de crescente volatilidade geopolítica?


O Impacto dos Conflitos nos Diferentes Mercados

Um estudo da Quantum Finance, empresa especializada em dados do mercado financeiro, analisou os efeitos desses eventos sobre diversos ativos. A principal conclusão é clara: não existe um padrão único de reação, o que dificulta estratégias preventivas generalizadas.

No caso da invasão da Ucrânia, por exemplo, o impacto mais significativo ocorreu no mercado de petróleo, enquanto as bolsas globais reagiram de forma relativamente contida. Já em outras crises, inclusive no Oriente Médio, o petróleo chegou a cair nos dias seguintes ao início dos conflitos, contrariando expectativas iniciais.

As bolsas americanas, por sua vez, demonstraram resiliência. Durante a guerra na Ucrânia, os índices de Wall Street resistiram bem, enquanto, na crise entre China e Taiwan, chegaram a subir. O Ibovespa também apresentou reações distintas, com altas expressivas em alguns episódios e pouca oscilação em outros.

Esses movimentos reforçam que a resposta do mercado depende não apenas do conflito em si, mas da sua capacidade real de afetar cadeias produtivas, oferta de commodities e fundamentos econômicos.


Ativos Tradicionais de Proteção: O Que Mudou?

Historicamente, segundo Ermínio Lucci, CEO da corretora BGC Liquidez, eventos geopolíticos costumam ter impactos limitados e de curta duração nos mercados, com exceção das grandes guerras mundiais. Em conflitos recentes, os principais ativos de proteção eram petróleo, ouro, dólar e títulos do Tesouro americano.

No entanto, essa dinâmica vem mudando. O petróleo perdeu relevância com a transição energética global, e, mais recentemente, o dólar e os Treasuries começaram a perder força como porto seguro. A situação fiscal dos Estados Unidos, o elevado déficit projetado e as tentativas de interferência política no Federal Reserve aumentaram a percepção de risco desses ativos.

Como consequência, investidores passaram a buscar proteção principalmente em ouro e outros metais, como prata, cobre e metais raros. O confisco de ativos russos no exterior também estimulou bancos centrais a reforçarem suas reservas em ouro, impulsionando o desempenho do metal nos últimos anos.


Novos Portos Seguros: Ouro, Franco Suíço e Metais

Com a redução da confiança em dólar e Treasuries, o franco suíço voltou a ganhar protagonismo como moeda defensiva. Segundo Lucci, houve um rebalanceamento da demanda por hedge geopolítico, agora mais concentrado em metais, franco suíço e, em menor grau, petróleo.

O Bitcoin chegou a ser visto como alternativa de proteção, mas perdeu esse status devido à elevada volatilidade. Oscilações bruscas de US$ 126 mil para menos de US$ 70 mil tornaram difícil sua precificação como ativo defensivo.


O Papel da Especulação e das Emoções

Marcos Praça, da ZERO Markets, chama atenção para o impacto da especulação e do comportamento emocional dos investidores durante conflitos. Movimentos iniciais costumam ser amplificados por investidores de curto prazo, criando distorções que nem sempre se sustentam.

Segundo ele, muitos conflitos têm forte impacto moral e político, mas pouco efeito sobre os fundamentos econômicos de empresas e países. Por isso, diferenciar eventos pontuais de verdadeiros “cisnes negros” como a crise financeira de 2008 é essencial para evitar decisões precipitadas.


Reações Exageradas e Normalização dos Preços

João Daronco, analista da Suno Research, destaca que os mercados frequentemente exageram nas reações iniciais. No conflito da Ucrânia, o petróleo chegou perto de US$ 120 por barril, mas posteriormente retornou a patamares mais próximos das médias históricas.

Esse comportamento ocorre porque a incerteza gera medo, levando investidores a agir de forma irracional. Com o passar do tempo, no entanto, os preços tendem a se normalizar à medida que os impactos reais se mostram menores do que o inicialmente esperado.


A Principal Lição para o Investidor

A principal conclusão é clara: crises sempre existirão, mas o maior risco para o investidor é tentar antecipá-las. Segundo Daronco, perde-se mais dinheiro tentando sair do mercado do que durante as próprias crises.

Exemplos recentes mostram isso. No fim de 2024, temores fiscais no Brasil fizeram o dólar disparar e a bolsa cair, levando muitos investidores a venderem ações no pior momento. Meses depois, o Ibovespa passou a figurar entre os índices que mais sobem no mundo.

O mesmo ocorreu com as tarifas anunciadas por Trump em 2024: o S&P 500 caiu inicialmente, mas se recuperou em poucos meses.


Conclusão: Cautela, Disciplina e Visão de Longo Prazo

Conflitos geopolíticos aumentam a volatilidade e geram ruído, mas raramente alteram, de forma permanente, os fundamentos da economia global. Para o investidor, a melhor estratégia continua sendo disciplina, diversificação e visão de longo prazo.

Evitar o efeito manada, resistir a decisões emocionais e entender quais eventos realmente afetam os fundamentos são atitudes essenciais para atravessar períodos de estresse e, muitas vezes, sair deles mais fortalecido.

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